| VILA BOA REVIVE OS PASSOS DE CRISTO |
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Esta celebração quaresmal, de profunda devoção popular, teve início pelas 15:00 horas, na igreja paroquial, e percorreu as principais ruas da freguesia. O povo, que acorreu em massa, acompanhou o “Salvador” no seu caminhar de dor e de sofrimento desde a sua condenação até à morte e sepultura, entoando um cântico monótono e doloroso, só suspenso pela voz da Verónica, a lembrar a todos quão grande foi o sofrimento de Cristo. Dos sermões que fazem parte desta cerimónia, destaca-se o Sermão do Encontro, que teve lugar no Largo da Praça. Aqui ocorre o encontro, sempre emotivo, do andor do Senhor dos Passos com o da Nossa Senhora das Dores e o de S. João, numa simbologia do encontro de Cristo com sua Mãe, a caminho do Calvário. É também aqui que o cortejo litúrgico se torna especialmente comovente, atingindo o auge da dor. Para este clima de sofrimento e de veracidade muito contribui o talento do Padre José Sanches, cujos dotes de pregador são unanimemente reconhecidos.
No Domingo de Páscoa, o Padre António, pároco da freguesia, repetiu os agradecimentos e lançou um desafio. É sabido que em Vila Boa – dizia ele, mais ou menos nestes termos - existem grandes pedreiros, cuja fama ultrapassa as fronteiras da aldeia e até do concelho. Então, por que não aproveitar esta mais-valia para se construirem nichos em granito. Os passos processionais de Vila Boa teriam, assim, carácter de monumentos e, sobretudo, ficariam “ad eternam”, a fazer história e a relembrar às gerações vindouras que a freguesia soube honrar as tradições. E por que não? – perguntamos nós - Então não dizia Fernando Pessoa: “Deus quer, o homem sonha, a obra nasce.”? António Dinis |